terça-feira, 16 de março de 2010

Igreja de Cristo

Estar ligado à Igreja é estar ligado a Cristo
O Senhor nos deu um espírito de fortaleza, de coragem, de entusiasmo, para que anunciemos a todo Seu povo a Boa Nova: “Eis o vosso Deus”. Mais do que nunca, Ele está operando no meio de nós; está realizando Suas obras, está conosco e nós precisamos mostrar quem é o verdadeiro Senhor.

Já estamos vivendo os tempos falados pelo Evangelho, o tempo do surgimento de muitos falsos profetas. Eles estão apontando outros “cristos” descaradamente. Todos os tipos de filosofia e religião estão prometendo a chegada de outros “messias”.



Nós, que temos Jesus como Salvador, precisamos nos agarrar a Ele; dedicar-Lhe nossa vida; lutar por Jesus; amá-Lo. É preciso que nos unamos, mas não em "grupinhos" separados. Hoje, mais do que nunca, precisamos estar juntos em uma única Igreja, a Igreja de Jesus. O Pai uniu de tal forma a Igreja e Seu Filho, que eles são um só, um único Corpo. Em consequência, não dá para ser de Cristo sem ser de Sua Igreja, e vice-versa.

A Igreja é vida e se faz em sucessão; não é democracia, não é feita pelo povo. Ela vem do alto, do céu e se realiza no povo de Deus.

O rebanho do Pai precisa de um pastor e Jesus não poderia estar visivelmente presente entre o povo para sempre. Por essa razão, Ele deu a Pedro e a seus sucessores Sua própria autoridade. E depois da Ressurreição disse ao mesmo Pedro, que O havia negado três vezes: “Tu me amas, Pedro? Apascenta os minhas ovelhas [...]”. Pedro era fraco, mas Jesus o escolheu como pedra fundamental de Sua Igreja – Igreja una, ungida pelo Senhor, na qual não há divisões.

Nossa geração sofrerá uma perseguição muito grande, e isso significa que, não estando ligado à Igreja, à única Igreja de Cristo, você também irá traí-Lo. Os próprios apóstolos encontraram dificuldades em seu caminho, mas não romperam com Jesus; pelo contrário, firmaram-se muito mais em Cristo e na Igreja.

Hoje encontramos muita dificuldade, muita incompreensão; nem todos estão preparados para aceitar as coisas novas que Deus está fazendo. Mas você despreza seu pai e sua mãe por eles, às vezes, demonstrarem uma mentalidade antiquada, por não compreenderem os dias de hoje? É claro que não. Você os respeita, apesar disso. Assim também é na Igreja. Nossos padres, nossos bispos são fruto de uma época, de uma mentalidade, e, às vezes, não entendem as novas ideias. Temos de ser fiéis ao Senhor e respeitar os nossos padres, bispos, entre outros.

Precisamos aprender a unir as riquezas do novo e do antigo. Com o tempo, eles vão se adaptando aos nossos dias e, orando por nós, incentivando-nos, trazendo-nos o perdão dos pecados, colocando-nos nos caminhos da fidelidade ao Senhor, a vontade de Deus acontecerá, em uma Igreja renovada de Cristo.

Deus quer fazer uma Igreja renovada, na qual o que não é certo, o que não é do Senhor, seja modificado. Como numa plástica facial em que se transforma um nariz torto, por exemplo, o Senhor quer mudar o que não está bom. Não quer cortar fora o "nariz" em hipótese alguma. Há muita gente fazendo "narizes" e "orelhas" à parte, mas isso não salvará ninguém. É preciso estar ligado a Jesus e à Sua Igreja, como os membros se ligam a um corpo, como os ramos se prendem a uma videira.

terça-feira, 9 de março de 2010

* De Lutero a Roma: Testemunho de conversão de um Protestante que descobre-se filho da Igreja Católica.

Depois de 3-4 anos a cruzar por Genebra, parece-me adequado que proclame a vitória de Roma sobre a minha alma.

Sei que há quem fique escandalizado com esta conclusão, quem duvide se não é odisseia a trajetória da minha peregrinação de fé. Porém, Chesterton, que contribuiu no ano passado para a minha conversão, defendia-se perante os seus críticos alegando que, na aventura que é a Ortodoxia, se vê como um velejador inglês que, num erro de cálculo, parte do Tamisa, dá toda uma volta ao mundo, e chega ao estuário londrino a pensar que descobriu as índias orientais. Para este, chegar à plenitude e pureza do Cristianismo durou toda a sua vida adulta.

Fico feliz por, aos 25 anos, me ver chegado a Casa. Fico também aliviado que, ao contrário das milhenas de pastores e presidentes de seminário e teólogos da fina flor do Evangelicalismo (em especial, Calvinistas como Scott Hahn, Peter Kreeft, Francis Beckwith, etc), não me vi vestido com a toga de Westminster quando me lancei ao meu nado rio Tibre adentro.

A questão, pois, fica: como foi possível? Sinto que devo explicações Ape. Primeiro que tudo, não mudei de fé.Apenas progredi no Caminho que Cristo palmeou para os Seus; um que não se fica pela epifania de Martinho Lutero no séc XVI. Não; ele inclui os 1500 anos anteriores, e inclui os S. Tomás de Aquinos, os Sto Agostinhos, os Sto Ireneus, os S. Clementes, Sto. Atanásios, os Sto Inácios e S. Policarpos que criam na Eucaristia, na Sucessão Apostólica, na Primazia Petrina, no Magistério romano, no Papado, no Dogma, etc.

Homens que amavam a Escritura e tinham-na como infalível e inspirada: a própria Palavra de Deus. Estudei insistentemente estes velhos santos. Uns, foram discípulos directos dos Apóstolos, outros discípulos dos discípulos; mas todos – herdeiros da sua Tradição (II Tes 3:5-6). Tradição que nunca incluiu a Sola Scriptura: essa coisa tão antibíblica. O devoto papista, Agostinho de Hiponas, presidiu a esse Concílio Ecuménico em Cartago, no séc IV, e o Novo Testamento foi anexado ao Velho. O da Septuaginta; o dos deuteroncanónicos. Agostinho cria na Escritura; e a Escritura cria na autoridade da Igreja sobre a Verdade (I Ti 3:15-16); a Escritura cria, segundo a mesma, em Concílios humanos e a sua infalibilidade, como relata no Livro de Atos, sobre a assembleia reunida em Jerusalém: toma-os como infalíveis e autoritários sobre as consciências de todos os cristãos em todo o lado.

E a Sola Scriptura? Ao fim de muita martelada, II Ti 3:16-17, parece falar da suficiência e adequação da Escritura para todo o ministério de Timóteo: não duma autoridade exclusiva da Escritura ou dum monopólio epistémico da Palavra preservada. Além do mais, o rapaz, segundo S. Paulo, conhecia aquelas Escrituras desde Jovem. Ora, pois, nem quando S. Paulo lhe escrevia isto havia epístolas paulinas, nem petrinas, nem universais; nem o Apocalipse ou o Evangelho e S. João – quanto mais na sua meninice. A Escritura perfeita e suficiente era, afinal, um Velho Testamento. A julgar pelas citações ad verbatim e exemplos históricos do Apóstolo (Gál 5) era pior: um desses com os textos deuterocanónicos que os Protestantes retiraram do Cânone – a Septuaginta.

A dada altura, pois, não fui mais capaz da ginástica intelectual de crer que sacerdotes romanistas perservaram, copiaram, e escolheram perfeitamente o Cânone da minha Escritura Protestante – a mesma da qual, em pleno séc XXI – fazia eu uso para mostrar as suas idolatrias. Se todos criam no que criam e como eu próprio verifiquei que criam, o que me faria crer que tais papistas, marianos, eucarísticos não corromperam o Texto? Ou omitiram mais livros apostólicos? Ou acrescentaram até apócrifos, como a Epístola a S. Tiago (que nega a Sola Fide no seu segundo capítulo), essa que Lutero quis, por palavras suas, ‘atirar para a fornalha’? Além do mais, este silêncio de 15 séculos em que as 5 Solas da Reforma nem em princípio existiram parecia contrariar, se é que a Ortodoxia é mesmo a Protestante, a promessa que Cristo fez a S. Pedro quando fundou nele a Sua Igreja: ou seja, afinal os portões do Hades sempre prevaleceram sobre ela.

Até à Dieta de Worms, pelo menos. E mesmo após esta, concedamos que, para o Evangélico do séc XXI,Lutero ainda sofria de resquícios hereges, ao assumir que Maria merecia toda a reverência e veneração, e ao não negar o Purgatório. O próprio Calvino não via motivos para contrariar a crença na virgindade eterna da Virgem e acreditava na Eucaristia e na Presença Real de Cristo nela. Mais ainda, ao olhar para as 33000 igrejas evangélicas e suas várias denominações, choraria com o triunfo dos Anabaptistas radicais – gente que separou o Estado da Igreja, que nega a regeneração baptismal e recusa-se a aspergir os ‘filhos da Aliança’, os bebés da promessa abraâmica. Mas sobre a anarquia eclesiástica Protestante falarei mais tarde.

Importante é que ainda como bom escrituralista, e sem dar por isso, comecei a crer no que não sabia eu ser Dogma. João 6, de repente, parecia a estar ensinar a Eucaristia (afinal, se Jesus falava apenas simbolicamente do Pão e do Vinho, porque confirmou Ele aos canafurnanitas que o acusavam de promover canibalismo que era o Seu Corpo ‘verdadeiramente’ Pão, e o Seu Sangue ‘verdadeiramente’ Vinho?); Mateus 16, subitamente, parecia conferir uma primazia apostólica sobre S. Pedro; I Coríntios 3, num momento, ensinava claramente o Purgatório; os capítulos iniciais de Lucas pareciam agora exaltar a Virgem para lá do mero ‘respeito’ Protestante, etc.

Porém, como haveria eu evangelizar os meus irmãos Evangélicos sobre estas e outras realidades? No fim, era apenas a ‘minha interpretação’. Que importa a suposta clareza e autoridade da Escritura, se a maioria dos Evangélicos consegue perfeitamente ler sobre ‘arrebatamentos secretos’ e helicópteros no Livro de Revelação, mas não vê a Transubstanciação em João 6, e fica impune se confrontado biblicamente?; se não vê qualquer Purgatório em I Coríntios 3, mas discerne o ambientalismo de Al Gore em Génesis 1?; se não compreende a veneração mariana presente nos capítulos iniciais de Lucas, mas entende a importância da apoiar o Estado de Israel até que o Templo seja restaurado e Jesus possa voltar, lendo [as notas de rodapé] do livro apocalíptico joanino? – Onde está, pois, a Sola Scriptura? Onde está a autoridade bíblica exclusiva? Nasceu e morreu na Dieta de Worms:

‘A menos que eu seja convencido pelas Escrituras e a simples lógica, não aceito a autoridade do Papa e dos Concílios, pois estes se contradisseram, e eu fico, pois, sem escolha. A minha consciência está sob o cativeiro da Palavra de Deus. Não poderei nem irei eu retractar-me, pois ir contra a consciência não é correcto nem seguro. Deus me ajude. Ámen.’

Porém, ao estabelecer a Igreja reformada, tendo já instituído o produto da sua consciência, a Concórdia, Lutero, argui assim:

‘A minha doutrina não pode ser julgada por ninguém, nem pelos anjos. Quem não crer na minha doutrina, não poderá ser salvo.’ [sic]

Quando se relativiza tanto a Palavra de Deus e se dilui a autoridade pastoral ao ponto da opinião; quando se vota a eclesiologia à anarquia, retirando à Igreja a legitimidade para ‘ligar’ e ‘desligar’; quando se auto-ordenam bispos e presbíteros sem que sejam estes enviados por um sucessor apostólico; que Sola Scriptura resta, se nisto e em tanto mais a Escritura não é obedecida, nem fonte autoritativa existe para que se estabeleça e institutua objectivamente o que ela ensina, para todos os cristãos em todo o lado? Mas mais sobre o relativismo doutrinal Protestante mais tarde.

Porém, foi assim, pois, que caí do meu cavalo de Saulo. Não pude mais pontapear os aguilhões. Há anos, li sobre Henri Nouwen, e como este adormecia em oração, pedindo a Deus que Ele lhe desse uma razão para permanecer Protestante. Mas Deus deu-lhe, em vez, milhenas razões para se tornar Católico. Assim foi comigo. Sinto, hoje, intimidade com os cristãos de todos os séculos e de todo o mundo, do dia de hoje até aos Apóstolos e os seus discípulos, que rodeavam a Eucaristia, e em redor dela viviam, cristocentricamente e cruciformemente. Sinto, como Chesterton, que não sou já apenas um filho dos meus pais e um filho da minha era, mas um filho de Deus e da Sua Igreja, fundada no ano 33 em Jerusalém. E isto salva um pós-moderno, acreditem.

Pro Christo et Humanitate,
Nuno Fonseca

segunda-feira, 8 de março de 2010

PARABÉNS MULHER

Semente...
Ser-mente...
Ser que faz gente,
Ser que faz a gente.

Mulher, ser guerreiro, guerrilheiro, lutador... multimidia, multitarefa, multifaceta, multi-acaso... multi-coração...

Mulher, ser que dá conta, que vai além da conta, que multiplica, divide, soma e subtrai, sem perder a conta, sem se dar conta, de que esse século foi seu parto, na direção de seu espaço, de seu lugar de direito e de fato, de seu mundo que lhe foi usurpado e que agora é por ela ocupado.

Mulher, ser florado, esse ser adorado, esse ser adornado, que nos poem em um tornado, nos deixa saciado e transtornado, que nos faz explodir e sentir extasiado.

Ser admirado...

Mulher, Nesse final de milênio, faça a transição.
Tire de seu coração a semente que vai mudar toda a gente levando o mundo a ser mais gente...

Um mundo mais feminino, mais rosado e sensibilizado, mais equilibrado e perfumado...

Parabéns Mulher !!!

Não pelo oito de marco, nem pelo beijo e pelo abraço, nem pelo cheiro e pelo amaço. Mas por ser o que és... Humus da humanidade, Raiz da sensibilidade, Tronco da multiplicidade, Folhas da serenidade, Flores da fertilidade, Frutos da eternidade...

Essencia da natureza humana.

Parabéns...

Fonte Mensagens e Poemas
http://mensagensepoemas.uol.com.br/dia-das-mulheres/poesia-para-as-mulheres-2.html



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domingo, 7 de março de 2010

NÃO DEIXE O AMOR PASSAR

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento,houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente: O Amor.

Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O AMOR.

sábado, 6 de março de 2010

Pessoa certa

Como encontrar a pessoa certa?

Temer o amor é temer a vida e os que temem a vida já estão meio mortos.
Bertrand Russell

Se você entrou neste post e pensou que encontraria os “10 passos para encontrar o amor da sua vida”, ou“que em 3 dias este amor apareceria”, ou tipo uma fórmula do amor (A+B= amor). Peço:

Pare por aqui, o amor não improvisa e nem é macarrão instantâneo que em 3 minutos está pronto para ser devorado.

Amor é aventura, amor é desafio, amor é para corajosos!

Pense comigo:

No mundo existem aproximadamente 7 bilhões de pessoas uma delas é a pessoa que Deus pensou pra você, esta pessoa está dentro de uma área de 510,3 milhões de Km² em algum dos 5 continentes, trabalhando ou estudando ou até dormindo em algum dos 195 países. E você tem a simples tarefa de: “Encontrá-la”.

Parece até algum daqueles filmes tipo: Indiana Jones e os caçadores da Arca Perdida ouIndiana Jones e a Última Cruzada, não é?

Sim, estamos sempre à procura, porém o que quero deixar para você é algo: “Não se perca na busca”.

Acredito que antes de encontrar a pessoa certa é preciso se tornar a pessoa certa. Torne-se o homem (mulher) que Deus lhe chama a ser. Se descubra como alguém que sabe que preenchimento e plenitude só se encontram em Deus. Não espere que outra pessoa lhe complete. Deixe que Deus faça isso.

Tem muita gente mais ou menos por ai. Não que elas sejam mais ou menos, mas se comportam como tal. Tem gente que pensa assim: “Já que a mulher de minha vida é minha cara-metade, serei metade até que a encontre e quando a encontrar, todos os meus problemas estarão resolvidos”. Gente “mais ou menos”. Te falo, quanto este cara encontrar a garota, não será o começo de um relacionamento, mas sim um início de uma dependência e prisão de carências. Ninguém merece ter nas costas o peso de ser “a solução de problemas” não é?

O que é ser a “pessoa certa”?

“Certa” não é perfeita. “Certa” no sentido de ser gente, ser pessoa humana. Se ama, se acredita e melhor ainda se percebe amada pelo Amor - com letra maiúscula mesmo.

Se você começou a ler este post e queria saber se a pessoa que hoje você namora é a “certa” para você, a primeira pergunta precisa ser respondida:

Sou a pessoa certa?

Uma vez respondida esta pergunta podemos ir para a segunda?

Esta pessoa é a certa para mim?

Agora pedirei ajuda aos evangelhos, bom na verdade às cartas de Paulo.

“(O amor) Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. (I Cor 13,7)

Sabe aquelas experiências de Química que você precisa submeter determinado experimento a algumas condições, como temperatura, pressão e tal… Faça isso agora com o “amor” que você tem ao seu lado. As condições foram dadas por Paulo:

Se é amor tudo des – culpar. Reconhecer a culpa quanto ela é real, mas tirá-la, pois se ama, e quem ama perdoa.

Se é amor tudo “crê”. Tipo não dá para levar um namoro quando se há desconfiança. É só desgaste.

Se é amor tudo “espera”. Nem preciso falar que o verdadeiro amor espera. Então castidade é o parâmetro para um namoro bacana.

Se é amor tudo “suporta”. Namorar é fazer bem. Lugar de viver e também de morrer. Nunca de matar!

Se ao submeter seu “amor” à prova destas condições e ele “agüentar”, posso te garantir você tem ao seu lado um grande amor.

Não tenha medo de fazer isso, porque somente quando o amor é colocado à prova é que se pode ver seu verdadeiro valor. (João Paulo II)

E se a dúvida ainda bate à porta, e você ainda duvida se está com a pessoa certa, o Papa João Paulo II responde a esta dúvida assim “quanto maior o sentimento de responsabilidade pela pessoa amada, mais verdadeiro é o amor”.

Como eu disse no começo do texto, para amar não existe receita pronta e sim indícios de um bom caminho a trilhar, tá a fim?

Espero seu comentário e em que ponto está do caminho…

Tamu junto

Adriano Goncalves

quinta-feira, 4 de março de 2010

CARISMA

(notas da conferência proferida no Seminário Internacional Cristianismo, Filosofia, Educação e Arte IVFac. de Educação da Universidade de São Paulo, 11-9-02)

João Carlos Almeida

Diretor Geral da Faculdade Dehoniana-Taubaté

A edição da Revista VEJA nº 1764 de 14 de agosto de 2002 apresentou uma reportagem de capa inusitada: “E VOCÊ... TEM CARISMA?” O contexto que justificava aquela matéria era certamente o mecanismo que faz um candidato à presidência da república seduzir o eleitorado por meio de um certo charme pessoal que é popularmente chamado de carisma. Reconhece-se desde o início a dificuldade para descrever esta realidade tão íntima da pessoa humana. Porém, é fácil identificar nos grandes políticos, artistas e alguns líderes da humanidade uma altíssima dose de carisma. Seria este o segredo do sucesso para aqueles que querem vencer em nosso mundo do simulacro e da informação? Ao tentar explicar este fenômeno universal a matéria da VEJA não vai muito além das conclusões da pesquisadora americana Doe Lang, autora do livro “Os novos segredos do carisma – como descobrir e libertar seus poderes ocultos” (Editora Record). Esta autora é otimista ao defender que o “carisma” estaria ao alcance da maioria das pessoas. É mais um destes esforços no sentido de ajudar as pessoas a falar em público sem embaraço, ter bom desempenho em uma entrevista para emprego, fazer amigos ou simplesmente influenciar pessoas. Ao estudar a força do carisma entra em questão a razão do sucesso de Jesus Cristo, Pelé ou Airton Senna.

Resolvemos fazer uma meditação sob a forma de ensaio sobre este tema, aprofundando seus fundamentos antropológicos, pois julgamos que isto será de alguma utilidade no contexto da filosofia da educação. Esta tarefa de trazer as pessoas para fora de si mesmas (ex ducere) pode ter um aliado poderoso se descobrirmos o que é este fogo interior que garante uma identidade autêntica, original, magnética e sedutora.

A origem etimológica grega da palavra “carisma” está em torno do campo de significados de um “dom recebido do alto”. Pode ser um dom divino, uma graça, uma qualidade, uma força. Um dos textos clássicos da Bíblia é o Evangelho de Lucas no capítulo 1, versículos 30 e 31. O texto descreve um interessante diálogo entre a virgem Maria, metáfora da humanidade, e o anjo Gabriel, representante do céu, da divindade. A saudação do anjo é extremamente curiosa: “Salve, Maria, cheia de graça, o Senhor está contigo”. Esta palavra, “graça”, poderia ser também traduzida como “carisma”. Ficaria interessante dizer: “Salve, Maria, cheia de carisma...”. Alguns autores, como Leonardo Boff, preferem traduzir: “Salve, Maria, contemplada”. O carisma é traduzido aqui, inteligentemente por uma expressão ambígua que pode significar aquele que foi feito Templo, ou seja, morada de Deus. Mas pode ser também aquele que ganhou na loteria... foi contemplado. É um modo interessante de tentar expressar em palavras o misterioso significado do carisma. O texto bíblico diz ainda que Maria seria “cheia de carisma”, porque o Senhor estava com ela. Esta categoria da “presença” é muito interessante nas páginas da Bíblia. Moisés teve uma teofania semelhante diante da sarça ardente. Depois de muita conversa, Deus teria garantido para o profeta: vai, Eu estarei contigo (Êxodo, capítulo 3). O próprio nome de Deus revelado a Moisés poderia ser traduzido como “Eu sou aquele que estou”, ou seja, “presença”. Jesus Cristo no Evangelho de Mateus é anunciado como o Emmanuel, ou seja, “Deus Conosco”. No final deste mesmo Evangelho Jesus garante: “Estarei convosco todos os dias até o fim”. Este é um dos elementos do carisma: a presença de Deus na pessoa humana. Se fizéssemos uma leitura crítica da experiência fundamental do teólogo São Paulo, veríamos que no caminho de Damasco ele ouviu uma voz que disse: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Na verdade Saulo perseguia os discípulos e não o Mestre. Sua inteligência teológica o levou a concluir que o Mestre está presente no discípulo cristiformizando-o. Esta é a matriz de todo o pensamento Paulino que fundamentou a teologia sacramental até hoje vivida na Igreja Católica, que venera a presença de Cristo na Hóstia consagrada, na comunidade reunida em prece, no pobre, naquele que pelo batismo foi cristificado. Quem realiza esta transformação seria o Espírito Santo, que é o próprio Deus que habita no humano, como num templo. O Espírito é o próprio “carisma”, nesta leitura teológica. Viver a vida segundo o Espírito é encontrar a identidade maior em Jesus Cristo, sem perder sua originalidade criativa.

A cultura popular tem suas verdades preservadas em algumas expressões. A conexão entre presença e carisma aparece quando alguém diz: “Quando você vai nos dar o ar da graça?” É o mesmo que dizer: “Quando poderemos contar com a sua presença?” Presença é o mesmo que graça. Graça é o mesmo que carisma. Outra expressão popular interessante é: “Qual é mesmo a sua graça?” Que significa dizer: “Qual é mesmo o seu nome?” Graça é nome. Nome na cultura bíblica é o mesmo que identidade íntima... o mais verdadeiro de mim mesmo. Portanto a cultura popular acerta em gênero, número e caso, quando utiliza o termo graça, derivado de carisma para expressar a identidade pessoal: “Qual é mesmo o seu carisma, sua identidade, seu nome?” Precisamos aprofundar as teias de significado entre estas três categorias que conseguimos absorver dos paradigmas culturais condensados na síntese religiosa ou na linguagem popular: carisma, presença e identidade.

O que podemos concluir a partir da análise destas matrizes de pensamento é que o carisma não é um fato individual, mas relacional. Aqui será necessário um recuo teórico a uma possível antropologia da relacionalidade. Não é possível entender o carisma a partir de uma convicção do humano como totalizado na individualidade. O indivíduo, na verdade, é um mito da modernidade. Pleiteamos tanto a subjetividade, a liberdade, que esquecemos a relacionalidade que nos compõe. Sou presença real e consciente diante da totalidade real e consciente. Isto é perceptível pela minha coerência pessoal no tempo e no espaço, no pensamento e na produção de cultura e de lixo. Eu existo, ou melhor, co-existo. Mas a totalidade não é criada por mim. Ela co-existe também e tem uma coerência que ultrapassa a minha. Sua coerência não é presa ao tempo, mas alcança a eternidade; não é presa ao espaço, é infinita. Sou algo da totalidade em minha parcialidade. Sou porção auto-consciente da terra... sou humano. Por isso, é fundamental minha relação cósmica. Preciso estar presente diante das coisas. Preciso me relacionar com a folha de alface para ser totalmente eu. O avanço na consciência ecológica indica que somos um corpo em relação com a corporeidade total da água, terra, ar... Quem fere o corpo da nave terra machuca minha identidade pessoal. Esta consciência ecológica pode cair no desvio folclórico de perder a importância antropológica disto tudo e preocupar-se mais com o Mico-Leão-Dourado, do que com o pessoal da favela da Imigrantes que pegou fogo. Se conseguirmos promover esta cultura da solidariedade inteligente criaremos uma consciência de que a dor dos pobres dói em mim e que o câncer em meu estômago matará meus olhos. Por isso, a antrolopologia da relacionalidade aponta para uma cultura da solidariedade global. Somente sou em relação.

Mas onde fica o carisma nesta teia de relações? O carisma é justamente a liga da relação. É o que Tomás de Aquino chamaria de “processão” ao tentar explicar a lógica unitária-pural da Santíssima Trindade. Nem Deus é indivíduo monolítico. É relação. É Trindade. Mas é unidade pessoal. Porque pessoa é um ser pericorético. Ou seja, somos feitos de relações. Sou eu mais minha relação com a totalidade, com a materialidade, com a alteridade e com minha própria intimidade, que é um outro eu dentro de mim. Se fizermos as contar veremos que existe uma trindade nisto tudo. Somos imagem e semelhança da identidade divina enquanto nos relacionamos com a totalidade, alteridade e intimidade. Mas temos uma quarta relação, com a materilidade. Portanto, temos também uma quaternidade. Na simbologia dos números da Bíblia, três significa a divindade e quatro, o humano. A soma é sete, que significa a perfeição. É o número de Davi, ou de Jesus Cristo, dos sacramentos, dos dons do Espírito Santo, dos pecados capitais. São quatro as virtudes cardeais (quatro pontos da terra), e três as virtudes teologiais. Novamente a soma entre o humano e divino é sete. São sete os pedidos contidos na oração do pai-nosso, três pedidos para o céu, quatro para a terra. Nossa identidade de perfeição estaria na relacionalidade total.

A pergunta final é a mesma do início. Como desenvolver o potencial carismático? Vemos, hoje, muitos desvios de identidade. Existem muitos “clones” por aí. Há muita imitação barata. A lacuna de uma noção clara de solidariedade leva as pessoas a clonar na identidade de algum líder ou famoso de plantão. É incrível ver algumas pessoas religiosas abrir mão de sua identidade para imitar seu “guru”. Falam da mesma maneira. Gesticulam igual. É um grave desvio de relacionalidade e uma declaração de morte ao carisma pessoal. É claro que sempre existirão influências. Mas insistimos que o produto final de uma relacionalidade global bem conduzida é sempre a descoberta de uma identidade original, criativa.

Voltando à revista VEJA, ficamos muito surpresos com a matéria de capa da semana seguinte à reportagem sobre carisma: “Em busca do desejo”. As jornalistas mostravam a sua preocupação com o esfriamento dos relacionamentos sexuais em uma época de tanta liberdade. Parece que a falta de disciplina nas relações acaba matando o carisma. Morre também o desejo e diminuimiose o prazer. A identidade sairá gravemente ferida desta tragédia.

A educação deve criar condições facilitadoras para o desenvolvimento do carisma, da identidade, da relação. Aqui a nossa proposta passaria do foco antropológico para o pedagógico. Seria um tema muito interessante para um novo ensaio. Poderíamos pensar tranqüilamente em uma pedagogia da solidariedade. Esperamos em um futuro próximo poder oferecer esta reflexão não sob a forma de ensaio, mas de tese, após o necessário recuo da pesquisa. Grato

IDENTIDADE

Diante da cultura da morte, visão INTEGRAL do ser humano.

Entrevista com Laura Tortorella, do instituto “Mulieris Dignitatem”

Por Carmen Elena Villa

Para que o homem e a mulher entendam melhor sua identidade, é necessário que olhem para si mesmos como seres criados à imagem e semelhança de Deus. Que descubram e valorizem seus próprios dons, que são enriquecidos quando se vive a reciprocidade.

As ideologias que recortam esta visão integral e que trazem consequências, como as conferências mundial do Cairo, em 1992, sobre o crescimento da população e a de Pequim, em 1995, sobre a “saúde sexual e reprodutiva”, reduzem de maneira alarmante a dignidade do homem e da mulher e promovem cada vez mais novas manifestações da “cultura da morte”.

Sobre este tema e sobre como assumir a masculinidade e a feminilidade de maneira integral, Laura Tortorella, do instituto Mulieris Dignitatem para estudos sobre a identidade do homem e da mulher, da Pontifícia Faculdade Teológica São Boaventura – Seraphicum, responde a essa entrevista.

Laura Tortorella é diretora do programa de pós-graduação em “Gestão das crises pessoais e interpessoais”, que procura oferecer soluções às crises do ser humano nas diferentes etapas da vida.

-A Assembleia do Conselho de Estrasburgo aprovou, no último dia 27 de janeiro, um documento sobre a saúde sexual e reprodutiva. A seu ver, quais serão as consequências da posta em marcha deste documento sobre a mentalidade antivida e sobre o feminismo?

Laura Tortorella: O documento fala de “saúde sexual e reprodutiva” referindo-se à possibilidade dada também aos menores, sem informar os pais, de ter acesso à contracepção, ao aborto gratuito e seguro, à esterilização, à fecundação artificial e à livre “orientação sexual”. As consequências de tal documento serão certamente alarmantes: uma aliança (feministas de outras ideologias, lobby farmacêutico), a favor da “cultura da morte”.

-Passaram-se 15 anos desde a Conferência de Pequim sobre saúde sexual e reprodutiva. Como você acha que mudou a mentalidade no mundo com relação ao aborto como direito e à concepção da mulher?

Laura Tortorella: Os programas de ação da Conferência Mundial do Cairo e depois de Pequim contribuíram para criar um clima de “cultura da morte” e o próprio documento da Assembleia do Conselho da Europa, de Estrasburgo, que mencionamos antes, encontra pontos aí.

Está claro que tais ideologias marcaram e feriram profundamente os direitos da pessoa e o direito à vida. Nestes documentos, onde se fala de “direito à saúde sexual e reprodutiva”, na verdade se solicita não tanto o direito à saúde, e sim o direito ao aborto.

Penso que só se pode usar uma arma para deter esta cultura da morte: a formação, sobretudo das novas gerações, em uma cultura da vida. Todas as nações, especialmente as latino-americanas, que ainda conservam tantos valores, deveriam fazer respeitar o valor que ainda pode servir como gancho para salvar a sociedade inteira: a família. Isso se torna mais urgente que nunca, para defender a primeira célula da sociedade dos ataques que recebe.

É justamente na família que as novas gerações podem aprender a respeitar a vida humana. Pensemos na necessidade de uma nova vida, na demonstração cotidiana do cuidado, da educação, do amor recíproco, do respeito. Pensemos no fato de que, por exemplo, na família se aprende a acolher a morte e a entender seu sentido.

-Como este documento feriu o significado de homem e mulher, e da reciprocidade entre ambos?

Laura Tortorella: Pretendendo libertar a sexualidade de cada preocupação e temor, cancelam-se termos como “maternidade”, “paternidade”, “família”, “casamento”, “responsabilidade” no âmbito da sexualidade. Deixam de ser dons e se convertem em direitos, depois se transformam em necessidades, decisões, exigências dos adultos.

Neste clima, tanto o homem como a mulher veem ofuscada a verdade sobre eles mesmos (igual dignidade e queridos por Deus um para o outro), a ser chamados a restabelecer um humanismo que volte a amar a verdade, a única que fará brotar as verdadeiras perguntas, as que levam à compreensão do sentido e que tornam o homem verdadeiramente livre.

-A partir do programa que você dirige, “Gestão das crises pessoais e interpessoais”, como se pode enfrentar esta crise à luz do Evangelho e de uma ética cristã, sem reduzir o papel do homem ou da mulher?

Laura Tortorella: Muitas são as crises que a pessoa deve enfrentar em diferentes etapas da vida. Para gestioná-las, penso na importância de uma correta antropologia: formar as pessoas sobre alguns temas fundamentais e imprescindíveis para a vida.

Esta formação tem o valor pela vida concreta da pessoa porque não tira o foco da verdade: homem e mulher, criaturas de Deus, criados à sua imagem e semelhança. Somente colocando a originalidade masculina e feminina ao serviço do homem e promovendo o diálogo frutífero, a pessoa (homem e mulher), assim como a sociedade, conseguirão encontrar as respostas às aplicações práticas completas.

Creio que a mensagem central da Mulieris Dignitatem, a reciprocidade homem-mulher, pode ser a solução para restabelecer um equilíbrio na sociedade, que leve ao reconhecimento de valores comuns de referência para construir juntos a história: “humanidade significa chamado à comunhão interpessoal”. Os tempos parecem maduros e carregados de expectativas sobre um diálogo frutífero entre homem e mulher, baseado na reciprocidade, na mesma dignidade e na comunhão que leva à resolução de problemáticas atuais inseridas em um horizonte de sentido.

-Há alguns fenômenos aceitos socialmente, como o “direito à morte”, a fecundação in vitro, o não reconhecimento da dignidade do embrião. Como estes fenômenos afetam a psicologia da mulher?

Laura Tortorella: Afetam de maneira diferente o homem e a mulher, porque não levam em consideração a proteção da vida humana. Estas são tarefas comuns para o homem e a mulher. As consequências, quando falta um desses elementos, ainda são comuns hoje: o risco de ser vistos como objetos do mundo, que sabem manobrá-lo, mas inevitavelmente permanecem sufocados.

A maternidade, por exemplo, deveria voltar a ser um bem reconhecido. É a mentalidade que deve mudar novamente, voltando a apreciar a vida humana como o primeiro valor de uma sociedade que pretende ser considerada sociedade civil. Uma nova revolução do amor e de acolhimento da vida humana!

Anos de batalha e de reivindicação das feministas e de outras ideologias causaram um colapso da vida nas areias movediças da indiferença. As consequências disso são evidentes: direito à morte, fecundação in vitro, não reconhecimento da dignidade do embrião são somente algumas das problemáticas que surgem de uma mentalidade fechada na luta antivida. Eu me pergunto de que maneira estes fenômenos repercutem na psicologia da mulher, quem, mais de uma vez, em primeira pessoa, pode ser golpeada por tais problemáticas porque é a mulher quem tem a tarefa de aceitar, socorrer, velar pela vida e está claro que, quando esta não ocorre, devido a culpas que não são somente da mulher, é ela quem, em primeiro lugar, paga as consequências de certas decisões, também do ponto de vista psicológico.

Zenit