Mostrando postagens com marcador casamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador casamento. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Milagre do vinho

Milagre do vinho

Espiritualidade

21-01-2010

Muitos vão atrás de religiões por algum tipo de interesse na ordem de solucionar algum problema de saúde, de casamento, de dinheiro... Há quem funde religião para ganhar dinheiro às custas da boa fé das pessoas. Muitos esperam e pedem milagres.

Jesus realizou muitos milagres, para manifestar seu poder de dar vida e salvação, tendo compaixão do povo sofredor. Mas Ele não quer passar apenas por um taumaturgo ou fazedor de milagres. Sua missão era muito maior. Aliás, Ele viu que a multidão o seguia por seu poder miraculoso. Resolveu, então, chamar a atenção de todos porque O seguiam apenas por interesse na ordem temporal. Deus, de fato, pode fazer e realiza inúmeros milagres, quando isso ajuda a pessoa de fé a se firmar no amor de Deus. Aliás, os milagres não adiantariam muito se fossem apenas para a melhoria transitória das pessoas. Sem alcançar o Reino definitivo, os milagres aqui na terra seriam muito secundários. É preciso ater-se ao absoluto da vida, que está em Deus e de modo permanente, ou seja até na eternidade. O transitório da vida terrena é muito importante, mas tem que ser conectado com a vida eterna. O próprio Jesus lembra que não adianta o ser humano ganhar o mundo inteiro se vier a perder a vida eterna!

Nas bodas de Caná da Galiléia Jesus fez o milagre da transformação da água em vinho (Cf. Jo 2, 1-11). Tornou-se vinho mesmo! À época era a bebida muito usada em festas. Foi sua mãe quem pediu. O filho atendeu-a. Foi o início dos milagres de Jesus. Seus discípulos acreditaram nele. Crer é mais do que falar. A comunicação pode fazer milagres se estiver baseada na fé em Jesus. Somos chamados a segui-Lo e anunciá-Lo. Para isso, precisamos de grande fundamentação na fé, que é um dom de Deus. Cultivá-la bem é preciso, através do conhecimento da Palavra e da docilidade ao Espírito Santo. Deste modo, assumimos a vocação em resposta a Deus para servirmos à causa do seu Reino. Cada um desenvolvendo os próprios dons, outorgados pelo Espírito Santo, todos se beneficiarão. Haverá mais entendimento, fraternidade, serviço aos mais deixados de lado...

Tendo compaixão das pessoas sofredoras com tantos problemas, somos chamados também a fazer o milagre da conversão dos corações com o anúncio entusiasta da Palavra de Deus, como lembra Isaías: “Por amor de Sião, não me calarei... enquanto não surgir nela, como um luzeiro, a justiça e não se acender nela, como uma tocha, a salvação... Não mais te chamarão Abandonada, e tua terra não mais será chamada Deserta; teu nome será Minha Predileta e tua terra será a Bem Casada” (Is 6, 1.4). É belo ver pessoas que não se cansam de realizar o bem ao semelhante, vendo suas necessidades. A solidariedade e união fazem milagres. Precisamos, de fato, fazer verdadeiro mutirão para evangelizarmos nossa gente e ajudá-la a superar injustiças e frustrações. Aí a água das dificuldades vai se transformar no vinho da alegria, da justiça, da misericórdia e do amor. Só em Deus o ser humano encontra resultado e sentido para a caminha da vida!

Dom José Alberto Moura

casamento

Imagem de Destaque

Vocação para o casamento

Para isso, é preciso orientação e formação

Vivemos num contexto social de muitas "éticas" até confrontantes. As desculpas para não se seguirem valores inerentes à natureza e a verdades objetivas são muitas. A título de ser moderno ou não retrógrado passa-se, não raro, por cima da verdade e do direito em função do modismo ou da satisfação pessoal. Compromissos com valores da dignidade humana, da família, do sexo, do respeito aos indefesos, do meio ambiente e do bem comum ficam para os que são formados e assumem a altivez de caráter como valor acima de outros interesses.

Na ordem afetiva, sentimental e sexual se fica muito à mercê da propaganda e dos desejos impulsionados pela libido e pela sensorialidade. Tais desejos nem sempre são canalizados por valores que orientam a pessoa à consecução da felicidade como conjugação do prazer momentâneo e aquele da realização de um ideal de vida. Fixando-se mais no animalesco do que no sentido da vida plenificado com valores éticos, morais e sociais, a pessoa está sujeita à irracionalidade do uso e da busca do prazer momentâneo como sendo isso absoluto. Nessa direção, a pessoa se torna insaciável e não encontra no prazer momentâneo um sentido mais elevado e realizador da vida.

Na trilha e na busca de sentido para a convivência matrimonial, pode haver ledo engano de realização humana, quando homem e mulher não se unirem em vista de uma real vocação conjugal. O impulso para o casamento, baseado unicamente no sensorial ou no desejo de os dois se gratificarem na complementaridade afetiva e sexual, frequentemente pode ser rompido com algum desequilíbrio de doação de um pelo outro. Havendo, porém, em ambos, a consciência e o pacto de mútua ajuda para conseguirem um ideal de vida por motivo de um sentido de vida maior, dá-se base de fecundidade na vocação matrimonial. Para isso, é preciso orientação e formação para o valor do casamento como verdadeira vocação. Preparação para tanto é fundamental.

Caso contrário, viveremos cada vez mais a panacéia de uniões que não levam à realização das pessoas que se casam, com as consequências muitas vezes danosas para tantos filhos! Não à toa Jesus Cristo fala da união para sempre do casamento entre homem e mulher, para a busca da felicidade, que está num ideal de vida buscado perenemente. A bênção divina está no bojo de tal encaminhamento. Mas é preciso, nessa direção, haver preparação, vontade e responsabilidade de construção da vida a dois para valer.

Nada, assim, vai tirar o casal do sério de uma vida de amor e doação autênticos. Meios coadjuvantes para isso encontramos na ordem natural e sobrenatural: diálogo, compreensão, boa vontade, colaboração, valorização do outro, perdão, oração, meditação na Palavra de Deus, sacramentos, aceitação das observações do outro, aconselhamento…

Muitos são os obstáculos para que o amor matrimonial corra nessa perspectiva. A influência do paganismo, da mediocridade, a falta de formação e influência de grandes meios de comunicação materialistas dificultam a juventude a se pautar na vida por valores acima apresentados. Aliás, na sociedade vemos duas vocações de fundamental importância: a família e a política. Justamente para as duas há muita falta de preparo! As consequências são óbvias!

A Palavra de Deus nos auxilia para valorizarmos a vocação matrimonial: “Maridos, amai as vossas mulheres, como o Cristo amou a Igreja e se entregou por Ela… Assim é que o marido deve amar a sua mulher, como ao seu próprio corpo… Por isso o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher e os dois serão uma só carne” (Ef 5, 25.28.31).

Dom José Alberto Moura
Arcebispo de Montes Claros - MG