Mostrando postagens com marcador educação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador educação. Mostrar todas as postagens

domingo, 24 de janeiro de 2010

Jovem,sexo, ateísmo

Jovem, sexo, ateísmo

Padre Paulo Ricardo
Foto: Robson Siqueira/CN
Gostaria de falar a respeito de um tema bastante polêmico:“Como educar os filhos para a vivência da sexualidade”. É um tema que gera bastante discussão porque a sexualidade que nos católicos pensamos está diferente do mundo.

Quando nós queremos educar os filhos a respeito da sexualidade, eles vêm com a mentalidade da escola; e infelizmente nós pagamos os professores para perverterem a educação de nossos filhos, então o caminho é não confiar na escola, porque a escola irá ensinar algo errado, até que se prove o contrário. Infelizmente é isso, e eu vou explicar.

Por que a escola e os meios de comunicação vão ensinar mal os nossos filhos a respeito da sexualidade? Porque a sociedade está vivendo no ateísmo, a educação está montada no ateísmo, é preciso que nossos filhos saibam disso.

Não é possível educar nossos filhos de forma cristã na sexualidade, sem romper com o pensamento da sociedade atual.Infelizmente esse é o pensamento da classe falante: jornalistas, advogados, psicólogos, políticos, terapeutas, professores. Há uma lacuna muito grande entre a classe pensante e o povo brasileiro. O povo brasileiro tem uma moral sexual conservadora, isso é uma estatística do Datafolha, IBGE, a maior parte dos jovens brasileiros são conservadores. Quando ele se casa, casa com mentalidade de que quer que dê certo, o comportamento dele é uma coisa, mas o pensamento é outro, é conservador. A maior parte dos jovens é contra liberação das drogas, mas essa não é a opinião da classe falante, e o nosso país é conduzido pela classe falante, políticos que transmitem opinião, professores, jornalistas, advogados, psicólogos, e o que eles falam não é o que o povo brasileiro pensa.

A classe falante é muito liberal, e eles querem incutir na cabeça de nossos jovens essa opinião deles. Se nós, maioria cristã, continuarmos calados, eles vão conseguir cada vez mais incutir esse pensamento na cabeça dos jovens, nós precisamos falar e ter coragem de romper com esse silêncio, pronunciar que nós somos cidadãos cristãos.

"Querem tornar o cristianismo uma realidade das catacumbas", denuncia padre Paulo Ricardo
Foto: Robson Siqueira/CN


Assista trechos desta pregação:

:: Nossa sociedade está vivendo um clima de ateísmo
:: Querem tornar o cristianismo uma realidade das catacumbas
:: Padre Paulo fala sobre o existencialismo


Agora querem tirar os símbolos cristãos de todos os lugares, querem tornar o cristianismo uma realidade das catacumbas. Dizem que não querem ofender os que não são católicos, não podem ofender a minoria. Por que isso vai ofender os ateus? Não ter uma religião é também uma atitude religiosa. Ao invés de ter uma cruz na parede eu ter uma parede vazia é ter uma atitude religiosa.

Escute meu irmão ateu, você acha que ser cristão em público é feio, eu acho que ser ateu em público é muito pior, é mais feio. Uma cidade vazia de símbolos religiosos é também uma atitude religiosa que mostra que esta cidade não tem Deus.

O filósofo francês Jean-Paul Sartre Jean via o existencialismo como uma filosofia, para ele é um fato levar até as últimas consequências que Deus não existe. “Se Deus não existe, ninguém pensou o homem, então não existe certo ou errado”. Como Raul Seixas: “eu prefiro ser essa metaformose ambulante”. Vê o homem como fruto de uma mudança contínua, isso se chama ateísmo.

A respeito do sexo, como está pensando essa classe falante? Eles dizem assim: o importante é a pessoa se sentir bem, não tem certo ou errado. Isso é dizer que não existe um projeto, você que é o deus da história. Deus tem um projeto para nós, veja seu corpo, você sabe para que serve cada parte de seu corpo, que mostram a inteligência de Deus. Deus pensou o homem para a mulher e a mulher para o homem, mas muitos pensam: eu não quero viver o sexo dessa forma, quero viver da forma que me agrada, quero ter sexo com animais. Isso é uma desobediência ao Criador. E é isso que estão incutindo nas cabeças de nossos filhos, pois sempre dizem que o importante é a pessoa se sentir bem. Pode ser que o jornalista, o professor, o advogado que fale isso não seja ateu, mas o pensamento é ateu. O ateísmo está tomando conta da nossa sociedade sem se mostrar. O ateísmo se apresenta como humanismo, algo favorável ao homem, tolerante.

Os nossos jovens, infelizmente, já fizeram sexo para entender que estão se destruindo, basta que alguém fale isso para eles, mas essa multidão da classe falante fala o oposto, psicólogos, pedagogos, políticos, professores, às vezes, até padres, que trabalham para o pensamento ateu - Que horror! Quando um jovem chega ao confessionário e fala do pecado da masturbação e o padre fala para o jovem que não tem problema, que ele está conhecendo o corpo, pode ser que o padre não saiba, mas está trabalhando para o pensamento ateu -. Se nós aceitarmos isso, haverá a intolerância religiosa disfarçada de tolerância, fazendo carinha de bom moço. O diabo não se apresenta com chifre, ele se apresenta de forma atraente, ele é especialista, sabe fazer a cabeça, se apresenta como tolerância.

A Igreja Católica ama de paixão os homossexuais, não existe uma instituição que os ame mais, pois quer os tirar de uma cultura de morte que está os matando, essa vida de sexo livre, está matando esses jovens, por isso ela diz: “meus filhos parem com isso”. Ela ama os heterossexuais que também estão se matando com o sexo livre, por isso ela fala: “meu filho pare de se maltratar porque você foi feito para amar”.

Fiéis participam atentamente da pregação do padre Paulo Ricardo
Foto: Robson Siqueira/CN

O sexo é uma criação de Deus e não do diabo. O sexo é uma participação do ser humano na obra da criação. O interior da mulher é algo sagrado, cada mulher que carrega dentro dela aquela pequena vida, ali Deus já realizou seu projeto maravilhoso. O homem é chamado pela sua sexualidade a entrar neste santuário da vida que é a mulher, para obra da criação.Precisamos arrancar o sexo das mãos do diabo, é obra de Deus o sexo. Nós precisamos fazer com que o sexo seja o que é no projeto de Deus, Deus tem um sonho para a sexualidade, e está ligado a nossa capacidade de amar. Mas que terrível! Quando usamos para nosso egoísmo, fazendo das mulheres objetos, usando algo que é para o amor para o egoísmo solitário.

Uma vez que você apresenta a sexualidade como projeto bonito de Deus, o jovem entende isso. Mas quando apresenta só como coisa proibida é claro que o jovem não vai aceitar. Eduque seus filhos, desmascare o lobo, é o pensamento ateu que conduz a morte, a destruição. E os jovens são capazes de enxergar isso,quanto mais você faz sexo sem compromisso, mais fica um vazio na alma. Mostre para ele o lobo, ele será capaz de enxergar. É importante que você os ajude a enxergar.

Os jovens dizem que devem ter um pensamento crítico, seja crítico com você, critique o pensamento que você adotou, um pensamento ateu, desonesto.

Você sabe por que o pensamento ateu está na moda? Veja o que falava o filósofo Friedrich Nietzsche: “Se deuses existissem, eu não suportaria não ser um deles. Portanto, deuses não existem”. Ele mostra que ele é ateu por sua soberba.

Os jovens dizem por que a Igreja proíbe sexo antes do casamento? Não é a Igreja que proíbe, mas a própria natureza. Pense, pelos menos lá em Cuiabá (MT) é assim, eu acho que esse negócio de sexo tem haver com uma criança que nasce, tem haver com bebê, assim como quando você se alimenta tem haver com nutrição, são as finalidades das coisas que Deus pensou. Se um casal de jovem mantém relações sexuais a natureza daquele ato é voltado para ter um filho, eu não estou dizendo que vai ter, mas está voltada para isso, e muitas meninas tomavam pílulas e engravidaram. Veio a criança, ela precisa ser respeita, tem direito a vida e de ter pai e mãe. O pensamento ateu diz, não existe Deus, você que é deus, se a criança não te agrada jogue-a no lixo. Você que é senhora do seu corpo. E nós dizemos não, respeite o Criador. A pessoa se coloca no lugar de Deus, senhora da vida e da morte. Você acha que sexo é lazer? Não, ele é sagrado. A Igreja proíbe sexo antes do matrimônio não porque ele é pecado, mas porque ele é sagrado. No projeto de Deus a criança foi pensada tendo um pai e uma mãe.


Por que a classe falante não aceita isso? Porque se eles aceitarem, eles terão que aceitar a Deus. O que significa ter um Deus? Significa que eu não sou Deus, e o mundo moderno não aceita, ele quer ser deus. Eles não aceitam sermos adoradores, e o Papa João Paulo II fala sobre o ódio dos apóstatas. O apóstata é um cara que abandonou a fé, seguia a Deus e começou a achar que a moral é opressora, não precisa ser tão radical, fanático, católico sim, mas fanático não. Começa ler a Bíblica de um jeito ideológico, na passagem onde Jesus diz: “se você olhar para uma mulher e no seu coração ir desejando-a, já cometeu adultério”. Eles dizem assim: Jesus não disse isso, isso foi acrescentado pela Igreja, isso é radicalismo. Eles pecam na fé que tinham, e arranjam um jeito “light” de entenderem a fé. Talvez seja até um padre que o tenha ensinado ler a Bíblia assim, e ainda dizem: padre fulano que é bom, é um padre aberto para realidade. Aberto para a realidade e fechado para Deus.

O apóstata pisou na própria consciência arranjando um jeitinho de interpretar o cristianismo, e quando você interpreta de forma reta, ele passa odiar você, porque mostra o que ele fez. Um jovem chega para o catequista e diz que não faz sexo com namorada e nem se masturba; o catequista começa a perseguir o jovem porque ele, o catequista, arrumou um jeito “maneiro” de viver o cristianismo, então persegue o jovem porque recorda o que ele fez consigo. Ele vai odiar quem propõe o Evangelho do jeito que ele acreditava antes.

Por que esse pessoal tem horror de ver a manifestação de nossa fé? Porque essa minoria de ateus quer amordaçar a maioria dos cristãos, temos que lembrar a eles que somos cidadãos como eles. Por que vamos ficar calados se somos a maioria? É necessário que essa maioria de cristão que são conservadores reaja. Eu tenho que reagir quando uma pessoa chega na minha igreja e acaba com o que é a razão da minha vida. Só existe um caminho eficaz, você não pode dar uma de bom mocinho, o sexo é sagrado, isso é visão positiva, mas você tem que mostrar o lobo que tenta passar como tolerância cristã aquilo que é intolerância ateia. Não somos ateus, Deus nos criou e tem um plano para nossas famílias, para nossa sexualidade. Temos que deixar Deus ser Deus e não ser Deus no lugar de Deus.


Transcrição e adaptação: Willieny Isaias

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Vamos bincar? De quê?


Artigo em cima de uma notícia na qual fala - Crianças moem giz e brincam de traficante em escola de Sapucaia do Sul(RS)

O ocorrido no Rio Grande do Sul, não é o primeiro caso no Brasil. Houve um parecido que foi o pai de duas crianças ousarem em ensinar os seus filhos a roubarem. O método era tão eficaz que parcia verdade. É copmum em nossas gfavelas às crianças se relacionarem com traficantes e verem dia a dia aquele movimento de drogas. Será que não haveria outra brincadeira? Não houve o incentivo das professoras com relação ao tipo de brincadeira? Como explicar essa situação? É muito simples. As crianças de 0 a 7 anos de idade estão com todas as janelas da aprendizagem abertas. Então, tudo que ela veem elas rapidinho aprendem. Ou seja, elas veem seus pais ou vizinhos fazendo e fazem também. Talvez nem tendo a consciência da gravidade de tal brincadeira. Qual o papel da escola diante deste fato? Será que houve algum mutirãop naquele território de conscientização sobre as drogas e suas consequências? Sabe-se que no Brasil é comum a comercialização das drogas. Estavam até pensando em legalizá-la. Há alguns que acreditam que deveria legalizar e outros que não. Os que dizem que deve ser legalizada, acreditam na hipótese de que legalizando, a droga ficaria banalizada e não haveria mais aquela sensação de adenalina. E os que dizem que não deve ser legalizada afirmam que é preciso ser rígido com esse tipo de pessoas. Vamos brincar de bila? Sugiro às crianças que perguntem aos seus avós, tios, como eram as brincadeiras de antigamente. Tenhop certeza que eram melhores, legais e mais divertidas. Faça isso. É super interessante são cada história.
Fazendo um paralelo com a visão durkheimiana da sociedade, podemos falar da educação moral e das relações indivíduo sociedade. Ele entendia que o indivíduo é o substrato do social, porém esse mesmo se impõe sobre ele porque o precede e o sucede e porque é do social, de suas tendências e necessidades que ele extrai sua natureza e suas foprmas de ser e fazer. Ou seja, o indivíduo é aquilo que a sociedade impõe sobre ele. Em suas necessidades e natureza, elas são impostas pela sociedade. Colocando neste fato, as crianças refletiram algo do que a sociedade estava impondo sobre elas. Sabemos que para ele: conduzir-se moralmente é agir em conformidade com uma norma, que determina a conduta a ser seguida antes mesmo que tomemos partido acreca do que devemos fazer. O domínio da moral é o domínio do dever e o dever é uma ação prescrita. Isso não significa que a consciência moral não possa defrontar-se com questionamentos; sabemos bem que ela frequentemente se embaraça que hesita entre partidos contrários. Ou seja, ter moral é ter norma(lei). No caso, será que a escola tinha normas a cumprir? Ou era tudo legalizado ou permitido? È preciso numa escola ou em qualquer estabelecimento termos lei a cumprir, pois senão vira bagunça. É necessário regras para cumprirmos. Assim fica tudo organizadinho. Será que antes de iniciar as brincadeiras, elas não ensinavam quais os tipos de brincadeiras? Se não, por quê? é necessário fazer uma análise bem ampla em cima dessa questão para podermos, também, entender melhor o fato ocorrido no Rio Grande do Sul. "A construção do ser social, feita em boa parte dela pela educação, é a assimilação pelo indivíduo de uma série de normas e princípios - sejam morais, religiosos, éticos ou de comportamneto - que baliza a conduta do indivíduo num grupo. O homem, mais do que formador da sociedade, é produto dela", escreveu Durkheim. Ou seja, mais do que formadores, as crianças, são produto do meio(sociedade). A sociedade impôs aquilo a elas e elas, rapidamente, assimilaram. Portanto, também se deve olhar o comportamento da sociedade ante esse fato e o que a mesma tem haver com o fato ocorrido. Tem que ver a situação da sociedade em relação a esse fato. Qual a relação da sociedade(meio) com o ocorrido no RS? Nas palavras de Durkheim, "a educação tem por objetivo suscitar e desenvolver na criança estados físicos e morais que são requeridos pela sociedade política no seu conjunto". Tais exigências, coim forte influência no processo de ensino, estão relacionadas à religião, às normas e sanções, à ação política, ao grau de desenvolvimento das ciências e até mesmo ao estado de progresso da indústria local. É intereesante que a sociedade, para Durkheim, é rsponsável para esse fato e ela mesma depois julga a situação como lhe aprouver. Por tudo isso, é impressionante a falta de responsabilidade da sociedade. O que a sociedade. O que a sociedade está ensinando para seus filhos? Cabe a nós refletirmos sobre tudo o que aconteceu e nos movermos com uma açõ contra estas situações que vemos no nosso cotidiano. Não podemos deixar que isso se repita.
Referências bibliográficas:
https://clickhbooks.websiteseguro.com/productinfo?cPath=5&products id=1683

revista escola

Muito controle, pouca educação

Muito controle, pouca educação
Nunca se falou tanto na parceria entre escola e família. Mas, ao contrário dos discursos, as relações mostram desconfiança mútua
Beatriz Rey

Imagine um mundo sem adultos, em que todas as decisões são tomadas por crianças. Como seria viver sem pais ou professores? A rede de televisão britânica BBC resolveu investigar: produziu o reality show Esqueceram de nós - A vila das crianças, programa que confinou crianças de 8 a 11 anos por duas semanas em uma espécie de vila. Em casas separadas, meninos e meninas tentaram conviver (ou sobreviver) sob a observação contínua dos pais - interferências só seriam feitas caso a saúde das crianças fosse colocada em risco. No começo do segundo dia, o caos reinava nas duas casas. De um lado, os meninos não conseguiam fazer uma simples refeição: Sid, de 9 anos, come macarrão cru porque não consegue esquentar uma panela de água. Do outro, as meninas entram em pé de guerra quando a competição feminina fala mais alto e não há adultos para mediar as relações. "É como viver um pesadelo", chora uma menina. "Pensei que fosse durar, mas não se passou nem um dia e já estou chorando", diz outra.

Quando assistiu ao programa, a psicóloga e consultora educacional Rosely Sayão ficou assustada. O que mais a incomodou não foi só o abandono extremo ao qual aquelas crianças foram submetidas - um retrato fiel do que acontece no mundo contemporâneo -, mas também a constatação de que o aprendizado hoje está nas mãos das crianças, e não dos adultos. "Um menino quis sair e a mãe disse: 'não, você vai ficar porque é a sua chance de aprender a cuidar de você e das suas coisas'", conta Rosely. Pode parecer contraditório, mas no momento em que mais se prega o diálogo entre as instituições familiar e escolar, constata-se que a criança nunca esteve tão sozinha.

A família está insegura: como lidar, além da educação familiar, no auxílio da aprendizagem escolar, sendo que o tempo é escasso e os filhos muito indisciplinados? Com as novas configurações familiares, grande número de instituições escolares tenta entender quais papéis são seus e se vê obrigada (ou não, em alguns casos) a repensar sua atuação. A famosa parceria entre as duas instituições pode até acontecer na prática, mas os papéis de ambas não estão claros para os professores, educadores, diretores, pais, especialistas ou psicólogos. Enquanto o mundo adulto experimenta daqui e tateia dali, resta às crianças conviver com sua ausência efetiva, em casa e na escola.

"A divisão de trabalhos entre escola e família está embaralhada. O fato de que esses dois territórios não têm fronteiras claras ocasiona tanta tensão", diz Maria Alice Nogueira, coordenadora do Observatório Sociológico Família-Escola da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na escola particular, o pai que paga a mensalidade se vê muitas vezes no direito de cobrar e de exigir mais da escola. Esse é um dos motivos pelos quais Julio Groppa Aquino, professor do Departamento de História e Filosofia da Educação da Faculdade de Educação da USP (Feusp), considera que a guerra entre as duas instituições no âmbito privado acontece na surdina. "Os professores são empregados da família e são tratados como tal. Isso ata a possibilidade de ação e gera tensão", diagnostica. Para Rosely, o conflito não é tão quieto como parece. Apesar de na superfície ele funcionar sob os moldes da gentileza, quando a tensão explode, os envolvidos mostram seu tom real, que é bélico. "Quando a mãe está em casa e o filho fala que tem uma lição e precisa de ajuda, ela xinga a professora. Quando o aluno está na escola e se comporta mal, o professor diz que aquela mãe não sabe o que faz. Não há respeito mútuo", pontua.

Na escola pública, a situação se inverte. Muitas vezes com escolaridade média baixa, os pais se sentem desencorajados ou temerosos de participar da vida escolar dos filhos. Quando a relação acontece, forçada por algum problema disciplinar, é sempre tensa ou truncada (leia mais nas páginas 30 e 31). Mas isso não significa que ele dê menos importância à escola. "Não há pai de classe popular que não fale para seu filho estudar para ter um futuro melhor. O problema é que eles têm poucas condições econômicas e culturais para colocar isso em prática", lembra Maria Alice.

Cena do seriado Esqueceram de nós - A vila das crianças: sem adultos, crianças buscam criar regras de convivência
Pessoa e cidadão
A relação entre escola e família passa por um conflito de funções sociais. Até a década de 50, a transmissão de valores era papel da família, que representava o ambiente privado. O conhecimento era responsabilidade da escola. "A família transforma o filhote da raça humana em pessoa. A escola transforma a pessoa em cidadão", resume Rosely.

Dessa divisão clara, passou-se a uma zona de névoa, em que as atribuições não estão definidas. Um exemplo: quando o aluno apresenta um problema de comportamento em sala de aula, quem resolve? A escola, que deve ensinar a disciplina em sala de aula, ou os pais, em tese responsáveis pela transmissão de valores do que deveria ser um comportamento socialmente adequado? "É uma espécie de disputa geopolítica. Menos da responsabilidade sobre o educar e mais da prerrogativa, de quem se arroga o direito de dar a palavra final", afirma Groppa Aquino.

Há dados que apontam o crescimento da investida familiar em educação. Uma pesquisa realizada recentemente pelo movimento Todos pela Educação em parceria com a Fundação SM mostrou que 80% dos pais entrevistados estão atentos para que os filhos não faltem às aulas ou se atrasem, além de acompanhar sempre as suas notas. Mais de 50% dos entrevistados impõe horários para que o filho estude. Foram ouvidos 1.350 pais em regiões metropolitanas e no interior do país de todas as classes socioeconômicas.

Muito dessa postura vem das diversas correntes que atestam que uma inação nesse sentido tem efeitos negativos no comportamento dos filhos (o que é geralmente associado ao desempenho escolar). A Universidade Federal do Paraná realizou um estudo com 3 mil crianças em 2005 e chegou a quatro perfis de pais: negligentes, participativos, permissivos e autoritários. No caso dos pais negligentes, que raramente dedicam uma parte do dia ao filho, os efeitos são nocivos: 56% dos filhos apresentavam sinais de depressão, 73% tinham indícios de estresse e apenas 6% têm boa desenvoltura social.

No colégio Einstein, em São Paulo, as consequências benéficas da participação familiar foram percebidas há quatro anos pela diretora e coordenadora pedagógica Raquel Burmesteir. "Quando o pai se interessa, cobramos: olha, está mais difícil aqui ou ali. Ele pontua em casa e nós aqui. A criança se conscientiza do que realmente precisa", conta Raquel. "A escola não consegue estar sozinha e o pai também não. É um tripé que envolve o aluno", diz.

Rosely Sayão toma por antidemocrática a associação entre o desempenho do aluno e a participação dos pais. "Consideramos a família do aluno para que ele tenha possibilidade. É absolutamente infantilizador. E se ele entrar na escola e construir um processo de autonomia?", questiona. Na mesma linha, Groppa Aquino não vê como a participação familiar pode ter impacto no desempenho do aluno. "Essa associação se deve à entrada do discurso psi dentro da escola. É a história de ver a criança como um todo. Quando a gente faz isso, esquece do aluno, que é o que interessa à escola", alerta.

Mesmo quando se esboça algum tipo de definição sobre o papel da família, ainda não há clareza definitiva. Cristina Guerra é mãe de Gabriel, 15 anos, que cursa o 9º ano do ensino fundamental. Para ela, o trabalho da família deve ser acompanhar a educação escolar - a escola deve chamar o pai quando achar necessário. Mas sua lista de "acompanhamento" é extensa. "Acompanho lição de casa, quero saber como foi a rotina na sala de aula, como está o comportamento nas atividades, no recreio, na educação física, tudo. A rotina na escola tem que ver com a formação da pessoa", conta.

O rei da casa
Há um traço da família contemporânea que se ressalta quando o assunto é a participação familiar na escola. A partir do momento em que o filho passa a ser o centro da família (leia texto nas páginas 34 e 35), há a necessidade de que ele seja perfeito. "É um ideal de consumo, um pacote de felicidade. É como se você quisesse garantir uma relação afetiva duradoura, pelo menos a do filho, já que o casamento não é", lembra Rosely. Extrapolando o relato de Cristina, há pais que trabalham o dia todo e passam pouco tempo com os filhos. Isso cria uma ausência de disponibilidade (e não do tempo cronológico, como define a psicóloga), o que os leva a adotar uma postura permissiva: vou fazer tudo o que meu filho quer. Além disso, a juventude hoje não é mais uma faixa etária, mas um estilo de vida. "É por isso que tantos pais esquecem os filhos no carro e na escola. A mirada principal é a própria vida", aponta.

Geralmente, além das reuniões de pais, as escolas abrem espaço para encontros individuais com os pais, que acontecem pela chamada de um ou de outro. De volta ao início do texto, quando o aluno tem um problema de comportamento, por exemplo, os pais podem ser chamados. Até os anos 50, essa convocação não era comum. Foi então que uma série de pesquisas internacionais apontou o peso da origem social sobre os destinos escolares e o Brasil adotou esse modelo mais próximo de relação família-escola. O contexto histórico leva a uma pergunta: como os professores lidavam com a falta de disciplina antigamente? Há quem diga que, como a criança tinha na rua um espaço primário de socialização, o grau de maturidade era maior quando ela chegava à escola. O próprio processo de socialização da família era mais sofisticado, já que contava com a participação de mais membros (hoje, a relação central é pai-filho). Mas havia também um senso de autoridade muito grande. "As crianças se relacionavam obedecendo cegamente a alguns princípios. O senso de autoridade mudou na sociedade. É uma questão que a escola se recusa a assumir. Se há um fenômeno chamado bullying acontecendo é porque ela se recusa a enxergar que isso, nesse mundo que mudou, faz parte da responsabilidade dela", opina Rosely.

Rosely Sayão: diálogo deve ter como foco a educação de todas as crianças, e não do "meu filho", ou do "meu aluno"
O problema é a construção desse senso de autoridade dentro da sala de aula. Para elaborar o estudo Trabalho docente e saúde: o caso dos professores da segunda fase do ensino fundamental, os pesquisadores Maria do Socorro Sales Mariano e Hélder Pordeus Muniz consultaram professores de uma escola de segundo ciclo de ensino fundamental em João Pessoa (PB). O chamado "domínio da turma" é associado à existência de uma especialização técnica em relação à disciplina que lecionam, ao investimento em qualificação profissional e à organização do conteúdo que será exposto em sala de aula. "O desempenho na exposição dos conteúdos em sala e a relação construída entre professora e aluno são elementos igualmente pertinentes para se ter domínio da turma. Ter esse domínio significa menos angústia e maior controle da situação em sala de aula", concluem os pesquisadores. Obviamente, esta é apenas uma das variáveis em jogo, mas, sem dúvida, ela ajuda a determinar a postura do professor em sala.

Ausências e compensações
Muitos educadores escolares, por sua vez, creem ser obrigados a assumir tarefas que não estão sendo feitas pela família. É comum que pais se dirijam a professores e diretores com dúvidas sobre a educação de seus filhos. Em uma palestra sobre a passagem do ensino fundamental para o médio no Colégio XII de Outubro, Marcos Ercíbio Couto, pai de Letícia, 14, e João Marcos, 10, mostrou-se angustiado: até onde nós, pais, devemos ir, já que hoje os filhos controlam a situação? Marcos tem dificuldade de falar não para os filhos, não por querer protegê-los, mas porque o acesso fácil à informação deixou o poder argumentativo das crianças mais incisivo. "Há pais que não falam não para compensar a ausência dentro de casa. E então minha filha vê colegas que não sabem receber não e me diz: por que temos uma família com essas coisas antigas, pai? Minha colega não é assim", conta.

Uma das coisas que a família teria deixado de fazer é a educação familiar, que envolve a transmissão de valores que norteiam a convivência do indivíduo na sociedade. "A criança está vindo para a escola sem alguns elementos. Por exemplo, elas são mais individualistas na maneira de se comportar", diz Esther Carvalho, diretora do Colégio Rio Branco. Mas até que ponto o próprio individualismo não seria um valor contemporâneo, como a competição e o consumo? A partir desse questionamento, Rosely Sayão diz que as crianças chegam, sim, com valores na escola - só não são aqueles que se deseja.

Aqui, a ideia de abandono é reforçada: se os pais já trabalham com um ideal de filho, a escola pensa o aluno da mesma maneira. "É uma ótima parceria: ninguém olha a criança como de fato ela é. Assim, a escola não se sente desafiada a desenvolver práticas educativas que aprimorem seu desenvolvimento", afirma a psicóloga. Ana Maria Matrandonakis, coordenadora de ensino fundamental 1 do Colégio XII de Outubro, vai além: a maioria das famílias não dá conta da formação inicial e não consegue acompanhar os filhos, mas também não acredita no que a escola diz. "Quando acontece um conflito na escola, nós somos os culpados. Os pais estão sempre um pouco bravos porque temos de resolver um problema pontual. O filho dele não tem problemas", diz. Aqui é preciso fazer uma distinção importante e que é unânime entre os especialistas: quando o professor reclama do aluno para o pai, está evocando a face estudantil daquele indivíduo. "Não é o mesmo sujeito que está lá. O filho pode ser uma coisa, mas o aluno da professora é outra", lembra Groppa Aquino.

Marcos Ercíbio Couto: angústia com os limites da atuação paterna, já que os filhos controlam a situação
Separar ou juntar?
Muitas das angústias relacionadas ao tema são provenientes das mudanças socioeconômicas e culturais do mundo contemporâneo. A fugacidade, as relações superficiais, o consumismo e o individualismo ainda são questões em aberto para a sociedade. Originalmente, a família é lugar do singular, do afeto. Em contrapartida, a escola é lugar do "mais um": é ali que as relações sociais se desenvolvem. Quando esses dois mundos devem se encontrar? Aliás, eles devem se encontrar? Ou o que é da escola, à escola? As opiniões são diversificadas.


Aliança inviável

Julio Groppa Aquino faz a voz dos que aceitam a inviabilidade da parceria entre as duas instituições. Para ele, quando os pais não participam, a escola reclama. E quando participam, reclama também. "Só chamamos os pais na hora em que o bicho pega. Ou nas festinhas insossas. Na escola privada, chamamos para mostrar que o dinheiro está valendo. Na pública, para responsabilizarmos os pais pela parte pedagógica. Só tem uma saída: não participar", defende.

A professora Maria Alice Nogueira, da UFMG, vê uma relação de mão dupla: se a escola está procurando a família, o contrário também vale. "Não posso dizer que minha mãe se inteirava do que eu estava aprendendo em geografia. Isso, para ela, era coisa da escola, hoje não é mais. É como se a família pensasse que a escola é muito importante para ficar só na mão do professor", aponta. Assim, a família de classe média exige cada vez mais da escola, que, sozinha, não consegue executar sua tarefa. Cabe à escola saber, por exemplo, qual é o momento de dizer não aos pais. "É importante que a escola tenha clareza sobre a sua proposta, para que o pai também tenha sobre a escola que quer para o filho dele", opina Adriana Silveira Garcia, diretora do Colégio XII de Outubro.

Além de restabelecer seus pressupostos, a escola deve ver a função educativa de forma ampla. Educar não é uma função apenas pedagógica, mas também ética e política, pois o que se quer, no final do processo, é abrir as portas do mundo público às crianças. Nessa linha, os educadores precisam descobrir até onde seus alunos podem ir, quais são os ritmos de aprendizagem, o quanto pode ser ensinado. "É preciso olhar para esse mundo e pensar qual projeto desenvolver para que as crianças não sejam fatalidades do destino social. A escola precisa ter uma utopia. Caso contrário, não há sentido em sua existência", lembra Rosely. Ela vislumbra uma possibilidade de acomodação de funções entre escola e família. O primeiro passo seria a escola (pública e privada) parar de atender os pais como clientes e de querer alunos ideais e homogeneidade. Em contrapartida, os pais precisariam esquecer a formação escolar do filho.

"É possível um diálogo, mas que tenha como foco principal a educação da criança, e não do 'meu filho', do 'meu aluno'. Deveriam se reunir para dialogar a respeito do projeto que a escola pratica com as crianças", opina. O importante é não perder de vista o sujeito, cuja maturidade de aprender os conteúdos e as coisas da vida por conta própria está se constituindo. No reality show da BBC, uma menina, aos prantos e molhada, tentava mediar um conflito provocado pelo excesso do uso de armas de água entre o grupo. "Precisamos de um adulto que nos diga quem deve ficar aqui e quem deve sair!", gritou. A famigerada parceria entre escola e família pode parecer incerta, mas a relação entre o mundo adulto e o infantil é cada vez mais necessária.

Quando o pai bate à porta

Um aluno é repreendido em sala de aula e, do caminho até a sala da diretoria, liga aos pais pelo celular e relata o ocorrido. Quando chega à direção, os pais já estão em contato com a escola, em tom acusatório. A cena ao lado é cada vez mais comum nas escolas particulares brasileiras: pais que se sentem no direito de cobrar, intervir, mudar. "O trabalho fundamental dos pais não é defender os filhos, mas encorajá-los para os enfrentamentos com a vida pública que estão na escola", propõe Julio Groppa Aquino, da Feusp.

Algumas escolas cedem. Abraçam projetos de educação ambiental, educação para o trânsito e tantas outras coisas que servem de vitrine. Qual o limite entre o desejo do pai e a vontade da escola? Para Groppa Aquino, os pais precisam entender que os dilemas escolares têm um sentido formativo. É ali que as crianças se relacionam com o mundo público: testam as leis, as punições, os limites, o sexo. "O que chamamos de indisciplina remete a essa experimentação ativa das crianças. Isso não é desvio, é da natureza da vida escolar", diz.


Pais, escola e tecnologia

A união entre escola e família muitas vezes acaba sendo sinônimo de controle de jovens e crianças exercido pelas duas instituições. É o que atesta a recente medida adotada pela rede municipal de ensino de Altinópolis, cidade paulista localizada a 70 km de Ribeirão Preto, região noroeste do estado.

Desde o último mês de novembro, os alunos da escola municipal Padre Geraldo Trossel estão sendo monitorados por câmeras
distribuídas por salas de aula e pelo pátio. A partir do próximo ano letivo, os pais terão acesso, via internet e ao vivo, às imagens gravadas. A notícia foi veiculada no jornal Folha de S. Paulo no dia 1º de dezembro.

De acordo com a prefeitura, as câmeras serão implantadas em todas as unidades. Para Marcos Hernani Hyssa Luis (PMDB), prefeito da cidade, os equipamentos foram instalados como parte do projeto pedagógico, que busca uma aproximação entre os pais e a escola.
"A questão da segurança está inserida nesse contexto", disse.

Mas não é só o governo municipal que encabeça a ideia. Os pais dos alunos aprovaram a mudança e pensam que ela deveria ser adotada em outras escolas. Ricardo Honório Tozzi, uma das fontes ouvidas pelo jornal, é pai de Karen Gonçalvez, de 12 anos. "Os alunos vão ficar meio constrangidos de perturbar porque tudo vai ser filmado", disse. Antônio Sérgio Bendazolli, outro pai cujo filho está matriculado na escola, afirmou que pretende até comprar um computador para acompanhar o que se passa na escola - para ele, os problemas com a droga podem ser enfrentados com o uso da câmera.


Para Saber mais

A parceria presente - A relação família-escola numa escola da periferia de São Paulo, Marcia Gallo, LCTE Editora, 2009.
Cadernos Cenpec Escola, família e comunidade, diversos autores, 2009.

Crianças (con)fundidas entre a escola e a família, Liliana Sousa, Porto Editora.

Escola e família numa rede de (des)encontros - Um estudo das representações de pais e professores, Lelia de Cassia Faleiros Oliveira, Editora Cabral, 2002.

Escola-família - Uma relação em processo de reconfiguração, Pedro Silva e Stephen R. Stoer, Porto Editora, 2005.

Família e escola, Maria Alice Nogueira, Editora
Vozes, 2000.


Família e educação - Olhares da psicologia, Lucia Moreira e Ana M. A. Carvalho, Editora Paulinas, 2008.

Família e escola - A arte de aprender para ensinar, Albertina de Mattos Chraim, Editora Wak, 2009.

Família: modos de usar, Julio Groppa Aquino e Rosely Sayão. Editora Papirus, 2007.

Os bastidores da relação família-escola, Daniela de Figueiredo Ribeiro, tese apresentada à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP, 2004.