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sábado, 23 de janeiro de 2010

Família um amor que não desiste

Família um amor que não desiste

Padre Paulo Ricardo
Foto: Wesley Almeida/CN
Na outra pregação falávamos do vinho novo. Não possível sustentar uma família sem abraçar a cruz. Eu já celebrei muitos casamentos, e eu gosto de recordar aos noivos que ali eles estão prometendo uma fidelidade para a vida toda. Como o ser humano frágil pode prometer fidelidade para sempre? Se prometerem o perdão para toda a vida, se estiverem dispostos a abraçar a cruz de Cristo. É um dom de Deus, um carisma.

Na prática como vou amar minha esposa, meus filhos? Como vou viver esse amor? Em primeiro lugar a Bíblia nos ensina na I Carta de São João 4, 10: “Nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos ele amado, e enviado o seu Filho para expiar os nossos pecados.” Se nós queremos na prática o vinho novo, devemos buscar na fonte, Deus nos amou primeiro. O amor do pai para com os filhos e dos filhos para com os pais, é um amor resposta.

Por que na família há cobrança? Porque as pessoas acham que não são amadas. O amor de Deus por nós não tem medida. Muitas vezes na nossa família ficamos mendigando afeto – “Ah! Você não me ama, não sorriu para mim” - e fica aquela cobrança. Não estou falando das cobranças dos pais para os filhos na educação. Não estou falando das cobranças construtivas, mas das que estão enraizadas de chantagens, de vitimismo, que é a pessoa se colocar como vítima - “Ninguém me ama, ninguém pergunta como estou - Aquelas pessoas que se fazem de vítimas o tempo todo. Como isso desgasta um relacionamento. Ninguém precisa disso, você é bilionário do amor de Deus, pare de mendigar amor quando você é amado. A pessoa que mendiga afeto dos outros não crê no amor de Deus.

Quem mendiga afeto dos outros não crê no amor de Deus, diz padre Paulo Ricardo
Foto: Wesley Almeida/CN

O amor consiste nisso: “Deus nos amou por primeiro”. Se nós queremos amar, primeiro devemos crer no amor de Deus. Crer no amor de Deus não é sentir o amor de Deus, é saber que o amor de Deus existe. Uma pessoa que diz que gostaria de ser diferente está dizendo que Deus errou, é uma presunção, está se fazendo conselheiro de Deus. Isso é soberba, falta de humildade. Precisamos aceitar Deus como Deus, e dizer: Vós sabeis o que é melhor para mim.

Deus não estava distraído quando me fez. Não foi um lapso divino. Deus faz e faz bem feito. Você é a maravilha de Deus, então crer que Deus me ama é isso. Crer que Ele me fez e fez bem em mim querer assim.

Amar é quando eu me dou de presente para a outra pessoa. Você não precisa de livro de auto-ajuda, somente da Palavra de Deus para saber que você é amado por Deus. Crer que Deus me ama não é sentimento, pois sentimento evapora, mas a fé permanece. Eu creio que Deus me ama, mesmo quando eu não sinto. A gente precisa professar todos os dias que Deus nos ama. Eu tenho que crer no amor de Deus e me dar de presente aos outros.

O amor novo que falta nas famílias é crer que “Deus me amou por primeiro”, e porque Ele me amou eu não vou me guardar, mas vou ser um grão de trigo que morre para que outros tenham vida.

A primeira coisa que você precisa fazer é renunciar esse espírito de vítima, você já é amado. Você é um presente para os outros. Pare de cobrar os outros. Uma pessoa que crê no amor de Deus é uma pessoa luminosa.

Na última ceia, o Evangelho de João nos relata o lava pés, e em que consiste? Jesus se rebaixa e vai à parte mais suja que temos, os pés. Fazendo aquele gesto Ele explica sua paixão na cruz. Ele veio até nosso pecado, nosso sujeira, aquilo que havia de porco em nós e lavou com Seu Sangue derramado. Jesus se entrega para nos livrar de nossas misérias.

Você quer entender Jesus? Tem que olhar para o mistério de sua morte e ressurreição. Ele derrama Seu Sangue para lavar nossos pecados. Ao fazer isso Ele explica: “Eu, que sou vosso Senhor e mestre, lavei os vossos pés, também deveis lavar os pés uns dos outros”. E isso não é apenas serviço social, mas quando na sua família você faz de conta que não está vendo muitas coisas para amar, para não cobrar, para não se tornar um cobrador, mas um doador. Por isso as nossas famílias precisam de um vinho novo. Em que consiste esse vinho novo? É amor de Deus derramado em nossos corações.

Rincão do Meu Senhor na sede da Comunidade Canção Nova
Foto: Wesley Almeida/CN

I Carta de São João 4, 10: “Nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos ele amado, e enviado o seu Filho para expiar os nossos pecados.” Se amor parte disso, a família tem para onde ir. O mundo odeia a família, ela está sob ataque, e este ataque está nos meios de comunicação, nas salas de aulas, no parlamento. A família está sob ataque deliberado do mundo, e isso por quê? Ser família é ser uma aliança de amor, é colocar um limite ao egoísmo, e mundo odeia isso.

A família é uma aliança de amor, não é simplesmente um vínculo de sangue, mas é um vínculo espiritual. Só existe família onde existe espírito. Falam que família é conceito burguês, e que é preciso acabar com isso, e querem nos reduzir ao mundo animal. Se você se reduzir a isso, você não merece ter família. É necessário que haja aliança de amor, essas alianças que os esposos carregam não é só um contrato jurídico, mas é vínculo de amor. Somente quem tem alma e coração pode dizer: eu não desisto de você apesar de você.

Quando eu falo de mundo, eu falo de um pedaço de mim, um pedaço de você. O mundo odeia a família porque é egoísta e quer se salvar. Exorcizemos o mundo que está dentro de nós. Existe hoje um plano de projeto para destruir a família. O nosso congresso aprovou um divórcio mais rápido, dizem que é para evitar os gastos, mas isso não é contra a natureza humana? Fazer isso rapidamente é não dá tempo para a pessoa se arrepender, pois no momento de “sangue quente” a gente faz isso para se defender. Isso é coisa que deputado faça? Aprovar uma lei para a destruição das famílias? Eles vão responder diante de Deus a destruição das famílias brasileiras. Imagina um casal irado, vai na internet e facilmente se divorcia. Por que os senadores não fizeram uma lei para facilitar a reconciliação entre os casais? Isso não é modernidade, isso é lei que ofende a Deus e destrói as famílias.

Família é um vínculo espiritual. Não podemos facilitar a destruição das famílias. Devemos acolher a vontade de Deus que quer que sejamos um presente um para outro. Dê esse passo de ser um presente de Deus para sua família.

Vinho Novo em odres novos

VINHO NOVO EM ODRES NOVOS Lc 5,33-39

Postado por: Padre Bantu Mendonça K. Sayla

setembro 5th, 2008

No Evangelho de hoje, Jesus responde à pergunda dos judeus através de duas parábolas: do remendo e dos odres. O Mestre quer com elas mostrar que o judaísmo antigo está gasto. É preciso remendá-lo e não dá, porque a nova forma de religião, o cristianismo, não poderia encaixar dentro de estruturas velhas e impossíveis de se reformar. Tudo deve ser novo, como são os odres onde se deve colocar o vinho novo. Para os presos à tradição estas palavras de Jesus eram duras, e não se referiam unicamente ao jejum, mas a toda a estrutura religiosa levantada sobre uma tradição mais humana do que propriamente bíblica, como dirá Jesus.

O Antigo Testamento não pode servir como referência essencial da verdadeira religião por Jesus promulgada. Jesus nos chama odres novos que devemos recebê-lo porque Ele é o Vinho Novo. Pois do contrário os fariseus estariam no verdadeiro caminho da salvação, o que foi tudo o contrário. E Jesus no-lo demosntra várias vezes e sobretudo quando diz: o maior nascido de mulher, é menor que o menor no Reino dos céus ao referir-se a João Batista (Mt 11,11).

Ele é o esposo que está com seus amigos no meio das bodas e por isso os seus eles não podem jejuar. Assim sendo, o amor se transforma em gozo com a presença de Jesus.

O jejum, unido à penitência, não é um elemento essencial do cristianismo, e somente quando da ausência de Jesus será conveniente e, associado com a oração, meio de implorar a presença do Espírito para momentos de decisões especiais, como Jesus fez no início de sua vida pública. O jejum atual é mais uma recordação do que um instrumento de penitência. Dos três elementos que na quaresma a Igreja determina, é o menos praticado e talvez o menos entendido pelos fiéis. Constitui a penitência com respeito a si mesmo, para que o corpo não seja o último a ditar as ordens e o espírito seja dominado pela carne. É o jejum ascético que pode se transformar em jejum expiatório, como penitência.

Jesus toma o lugar de Jahveh com uma nova característica: Ele é o amigo, o íntimo, no qual o homem encontra um amor especial que recebe e dá como um igual ou semelhante. O Verbo escolhe o homem como sua morada revestido de humanidade dirá Paulo e também os homens como seus íntimos.

O discípulo de Jesus, batizado em nome da Trindade, aquele que está em comunhão quer eclesial quer sacramental está “obrigado” pelo próprio Jesus a ser o pano, o odre novo. Alías, as palavras pano sem estrear e manto velho estão escolhidas propositadamente. Significam a incompatibilidade da mentalidade antiga para receber as verdades e as práticas do Reino. O exclusivismo judeu, a circuncisão, as leis de impureza, o sábado e o templo não seriam mais os referenciais dos novos tempos. Porque os verdadeiros adoradores hão de adorar a Deus em espírito e vida. Como cristãos somos chamados e “obrigados” a abandonar orgulho, fonte da hipocrisia e o desprezo aos pobres e excluídos. O espírito do reino de serviço e humildade não entrava dentro da ambição reinante.

Se a primeira comparação, o pano era uma lição dada aos conterrâneos, a segunda os odres é um aviso aos discípulos: não queirais transvasar o espírito e as verdades do Reino a antigas e caducas instituições. O vinho indica, a alegria do banquete que não deve faltar na nossa mesa. Assim, o espírito de amizade deve substituir o espírito de formalismo e temor da AT. O Vinho Novo é o sangue de Jesus, que deve ser recebido em odres novos que é o meu e o teu coração. Porque quem come e bebe o Corpo e o Sangue de Jesus indignamente, come e bebe a própria condenação. Antes de te aproximar do Banquete Eucarístico, purifique, lave, confesse os teus pecados, porque VINHO NOVO EM ODRES NOVOS.